marciana.org Est. 2001

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Midnight City

Não dá para pensar que a vida é outra coisa que não espectacular a ouvir esta música.

Lofticries


“Lofticries” dos Purity Ring

Hipnotizante. Gosto, e é isso.

Temos que acabar com os mamões

Os mamões, principalmente em tempos de crise, acabam por arranjar maneira de mamar cada vez mais. Isto (Projecto de Lei 118/XII) não é para os autores, é para aqueles que vivem dos autores, os proxenetas que fazem dinheiro das criações dos outros. Os mesmos que têm um apetite voraz para exigir receber aquilo a que os autores têm direito, mas depois têm uma falta de apetite tremenda em efectivamente pagar aos autores. A SPA é o típico “olha para o que digo, não para o que eu faço”.

Querendo-se aproveitar da aceitação geral do “pagar o justo pelo pecador”, querem mamar ainda mais, para garantir a sobrevivência dos seus colaboradores, e talvez para que não se continue a dizer que não pagam aos autores, aqueles cujos interesses eles dizem querer defender. Mas, reparem, o dinheiro que receberem com a implementação desta taxa é para eles gastarem como quiserem e não para os autores.

Com isto tudo, e não achando eles que seja muito grave e que a malta se habitua, querem que, por exemplo, se eu comprar um disco externo de 2TB, que uso para gravar as minhas fotos, backups dos meus documentos, sites, etc, pague mais 50% de taxa, só porque há a possibilidade de colocar lá cópias (privadas) de trabalho de autor, que possa ser representado pela SPA. Se não colocar, se colocar e não for, é a vidinha, pago na mesma. E não, isto não significa que a pirataria deixe de ser ilegal.
Não bastando o IVA, vêm uns caramelos que agora querem mandar nesta merda toda e os partidos parecem todos com vontade de os deixar. É uma espécie solidariedade entre mamões e dependentes de tachos? E nem é nos discos rígidos que esta taxa se torna mais medonha, tem todo um impacto em equipamento que consegue superar o custo do próprio equipamento, e que só “vai ajudar à economia” dos mamões.

Sendo alguém que tem orgulho em pagar aos artistas o seu trabalho, e fazer o que é certo (para os autores), conseguem deixar-me particularmente piursa.

Temos que nos informar bem, recomendo a leitura dos posts de quem já falou mais e bem melhor que eu sobre este assunto: a Jonasnuts, “Matem o Monstro” e “Proposta Cento e Dezoito”.

E acima de tudo, isto não pode passar, porque isto, apesar de muito mau, não é o pior que pode sair da mente de quem sobrevive à custa destes esquemas. Mas pergunto-me, o que é que podemos fazer para parar isto?

ruivas que adoro #2

#2
Florence Welch, aqui numa versão ao vivo da “What The Water Gave Me” que me arrepia sempre. Quem diria que uma música inspirada pelo suicídio de Virginia Woolf seria uma das músicas que mais tenho ouvido nos últimos meses? A Florence parece ter superado o desafio do segundo album, e espero que continue a portar-se bem.

Pimenta no cú dos outros é açúcar: vacas voadoras #2

Isto vai ecoar com todas as pessoas que moram ao pé de um McDonald’s que tenha McDrive aberto até às tantas. Tirando as roulottes de cachorros e bifanas, este restaurante de Fast Food parece ser a opção para quem pode estar acordado de madrugada e tem um ratito no estômago, e até aí tudo bem. O meu prédio fica a um par de centenas de metros e o nosso parque de estacionamento parece ser a extensão do parque de estacionamento bastante pequeno do restaurante. O que quer dizer que depois de comprarem os seus hamburgueres e batatas é para a frente do meu prédio que eles vêm comer.

Agora há duas versões: a versão Inverno e a versão Verão. No Inverno, eles comem dentro do carro, está frio, acabam a sua refeição, abrem a porta do carro o suficiente para deitar o saco de papel com os restos no chão do estacionamento e vão embora. O que é aquilo verde? Um cesto do lixo, dizem vocês? Mas está longe, são para cima de três metros, vou lá apanhar frio quando posso deixar o lixo para alguém limpar? A versão de Verão é mais rebuscada. Como está calor saem do carro e vão comer para as escadas da frente do meu prédio, e é um chavascal que só visto. São pessoas que não gostam do pickle do hamburguer e deitam fora, nas escadas, deixando um cenário que parece que andaram a jogar damas com pickles. Depois sobra ketchup e resolvem pintar as escadas com tomate. As caixas do hamburguer, batatas e bebidas ficam pousadas nas escadas, deixando apenas espaço para onde o traseiro esteve sentado. Pergunto-me se eles imaginam como é aquele cenário à luz do dia, para quem, enquanto eles estiveram a cear, estava a dormir, e sai de casa para trabalhar e vê aquilo nas escadas. O meu primeiro pensamento é “Sim, McDonald’s, estou a adorar”.
Isto são pessoas? Dá vontade de descobrir onde esta gente mora e ir lá deixar-lhes o lixo na soleira da porta. Será que têm noção? Será que não se conseguem colocar no lugar de quem mora naquele prédio? Será que já ninguém consegue ter uma perspectiva que não seja só a sua, e deixar que essa perspectiva se sobreponha às suas vontades e apetites? O “Eu pago os meus impostos, tenho direitos” não dá carta-branca para fazer tudo o que apetece.
É uma visão bastante limitadora, em que limpar significa tirar da sua própria casa para fora, ou deitar lixo pela janela dos seus carros, em movimento, para o que é seu estar limpo, mesmo que isso signifique sujar o que é dos outros. “Alguém há-de limpar” não é? Ou a minha favorita, “Eles são pagos para limpar, por isso temos que lhes dar trabalho”. Pois, alguém há-de limpar, até lá, se as coisas ficam a apodrecer nas escadas do prédio de alguém, quem quer saber? “Não é nada comigo” – essa máxima de todo o traste.

Acho que são pessoas que ficariam piursas se lhes fizessem o mesmo à porta de casa, mas na sua cabeça não concebem sequer que esse cenário seja possível. Porque se concebessem, nunca fariam uma coisa destas, a não ser que sejam a pior escumalha à face do distrito do Porto. Isso também é possível. Afinal, pimenta no cú dos outros é açúcar, não é verdade?

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